2.9.06

O lance do alívio

As duas últimas semanas foram muito difíceis. Um turbilhão de emoções. Desespero, falta de perspectiva, medo, insegurança, revolta... Vontade de mudar, de largar o que não me fazia bem. Queria sonhar de novo, acreditar que tem coisa melhor, ter a certeza de que eu mereço, torcer para que a próxima seja enfim a oportunidade pela qual espero há tanto tempo. Eu gosto de trabalhar e não tem sentido em sofrer por isso. E eu estava sofrendo. E me consumindo. E me explorando. E sendo explorada, usada, desvalorizada. Então fui descartada. Fui demitida no último dia de agosto. Eu já esperava por isso. Na verdade, eu queria ter pedido demissão antes do terceiro mês de trabalho, mas vinha tentando me convencer de que dava para aguentar, bastava dar tempo ao tempo. Mais uma vez, eu não acreditei na minha intuição. Devia ter tomado uma atitude antes de deixar a situação ficar insustentável. Eu me arrependo um pouco de ter descartado oportunidades que surgiram depois que aceitei esse emprego. Mas se eu fosse adivinha, seria mais fácil.

Outro dia eu estava pensando na missão que as pessoas têm na vida. Talvez a minha missão seja essa: aceitar um trabalho, dar o melhor de mim, perceber as falhas na estrutura da empresa e da equipe, e dizer isso a quem deveria ver mas não vê o que está bem debaixo dos olhos. Claro que isso sempre me coloca numa situação péssima porque eu acabo batendo de frente e ninguém gosta de ser confrontado. Sobra pra mim e eu saio. O impressionante é que depois, de alguma forma, eu fico sabendo que várias mudanças acontecem na empresa, exatamente de acordo com o que eu tinha falado. E quem fica na empresa passa a usufruir de tudo. Assim como quem chega depois. Se esta é minha missão... putz! Talvez eu tenha que me preparar para nunca chegar onde eu sonho e tentar sofrer menos com cada nova tentativa. Preciso aprender a arte da diplomacia! Alguém me indica um cursinho barato?!